Serviço Nacional de SaúdeULS da Região de AveiroServiço de Pneumologia
Pulmão para a VidaUnidade de Prevenção e Saúde Respiratória
Isto é verdade?

Constipação, gripe e bronquite: o antibiótico ajuda?

A maior parte das infeções respiratórias do inverno é causada por vírus, e os antibióticos não atuam sobre vírus. Tomá-los sem necessidade não acelera a cura e tem custos para si e para todos.

Na maioria dos casos, nãoRevisto a 30 de setembro de 2026Próxima revisão: setembro de 2027

1 · Resposta curta

Na constipação, os antibióticos não trazem benefício.1 Na bronquite aguda, o benefício é mínimo — a tosse dura, em média, cerca de meio dia a menos — e os efeitos adversos são mais frequentes.2

A tosse de uma infeção respiratória dura, em média, cerca de duas a três semanas. Muitas pessoas esperam que passe numa semana, e é essa diferença que leva a procurar antibióticos que não são precisos.3

Usar antibióticos sem necessidade contribui para as bactérias resistentes, que causam mais de um milhão de mortes por ano no mundo.4

2 · O que a evidência mostra

O que a evidência mostra

Antibióticos nas infeções respiratórias comunsSíntese das revisões sistemáticas
SituaçãoO antibiótico ajuda?
ConstipaçãoNão1
Bronquite agudaMuito pouco — cerca de meio dia a menos de tosse, com mais efeitos adversos2
GripeNão — é causada por um vírus. Em casos específicos, o médico pode prescrever um antiviral
Pneumonia bacterianaSim — é das situações em que o antibiótico é necessário5
Quanto tempo dura a tosse

Numa revisão de estudos, a tosse de uma infeção respiratória aguda durou, em média, quase 18 dias. Quando se perguntou às pessoas quanto tempo esperavam que durasse, a resposta mais comum foi cerca de uma semana.3 Uma tosse que dura duas semanas depois de uma constipação é, na maioria dos casos, a evolução normal — não um sinal de que é preciso antibiótico.

Quanto dura a tosse de uma infeção respiratória
  • Duração média nos estudosquase 18 dias
  • O que as pessoas esperavamcerca de 1 semana

Numa revisão de estudos sobre infeções respiratórias agudas.3

O custo de tomar sem precisar

Diarreia, reações alérgicas e interações com outros medicamentos. E, para todos, bactérias cada vez mais resistentes: em 2019, a resistência aos antibióticos esteve diretamente na origem de mais de 1,2 milhões de mortes no mundo.4

3 · O que fazer na prática

O que fazer

  • Descanse e beba líquidos.
  • Paracetamol para a febre ou as dores, segundo a bula ou a indicação do farmacêutico.
  • Nas crianças com mais de 1 ano, o mel pode aliviar a tosse.6 Nunca antes de 1 ano.
  • Lave as mãos, tape a boca ao tossir e, se possível, evite o contacto próximo com pessoas vulneráveis enquanto tem sintomas.
  • Vacine-se contra a gripe, se estiver indicado. Veja Vacinação respiratória em adultos: quem, quando e porquê.

Procure o médico se: tem falta de ar ou respiração rápida; febre alta que dura mais de 3 a 4 dias; dor no peito ao respirar; sangue na expetoração; melhorou e voltou a piorar; tem uma doença respiratória crónica e os sintomas estão fora do habitual; a tosse dura mais de três semanas. Ligue 112 se houver lábios azulados, confusão ou grande dificuldade em respirar.

4 · O que não vale a pena

E porquê

Guardar antibióticos de outra vez, ou pedir a alguém

Pode ser o antibiótico errado, na dose errada, para uma infeção que não precisa dele.

«A expetoração ficou verde, é bactéria»

A cor da expetoração, por si só, não distingue uma infeção viral de uma bacteriana.

Xaropes para a tosse em crianças pequenas

Não são recomendados em crianças com menos de 6 anos.7

5 · O que ainda não sabemos

Zonas de incerteza reconhecida

  • Como identificar rapidamente, na consulta, as poucas infeções que beneficiam de antibiótico. Há testes em estudo que podem ajudar.
  • O benefício dos medicamentos de venda livre para a tosse em adultos, que é incerto.
6 · Onde obter ajuda

O que pode fazer a partir de hoje

Em qualquer ponto de Portugal
  • SNS 24 — 808 24 24 24, para saber se precisa de ser observado.
  • A sua farmácia, para aconselhamento sobre o alívio dos sintomas.
  • O seu médico de família, nos casos acima.

Ficha técnica

Autoria
Serviço de Pneumologia ULSRA
Revisão científica
Serviço de Pneumologia ULSRA
Publicado
29 de setembro de 2026
Última revisão
30 de setembro de 2026
Próxima revisão
29 de setembro de 2027
Grau de evidência
Alto para a ausência de benefício dos antibióticos na constipação e para o benefício mínimo na bronquite aguda. Moderado para o uso do mel na tosse das crianças com mais de 1 ano.
Interesses
Projeto de literacia em saúde com foco na prevenção do Serviço de Pneumologia da ULS Região de Aveiro (SNS). Sem publicidade nem patrocínio comercial. Declaração completa

Correções

  • 30 de setembro de 2026 — A recomendação sobre antibiótico na pneumonia passa a citar a norma NICE NG138, que substituiu as recomendações de antibióticos da CG191.

Fontes

  1. Revisão sistemáticaKenealy T, Arroll B. Antibiotics for the common cold and acute purulent rhinitis. Cochrane Database Syst Rev. 2013;6:CD000247. Consultar
  2. Revisão sistemáticaSmith SM, Fahey T, Smucny J, Becker LA. Antibiotics for acute bronchitis. Cochrane Database Syst Rev. 2017;6:CD000245. Consultar
  3. Revisão sistemáticaEbell MH, Lundgren J, Youngpairoj S. How long does a cough last? Comparing patients' expectations with data from a systematic review of the literature. Ann Fam Med. 2013;11(1):5-13. Consultar
  4. Revisão sistemáticaAntimicrobial Resistance Collaborators. Global burden of bacterial antimicrobial resistance in 2019: a systematic analysis. Lancet. 2022;399(10325):629-655. Consultar
  5. Recomendação de sociedade científicaNational Institute for Health and Care Excellence. Pneumonia (community-acquired): antimicrobial prescribing. NICE guideline NG138. London: NICE; 2019. Consultar
  6. Revisão sistemáticaOduwole O, Udoh EE, Oyo-Ita A, Meremikwu MM. Honey for acute cough in children. Cochrane Database Syst Rev. 2018;4:CD007094. Consultar
  7. Norma ou orientação oficialMedicines and Healthcare products Regulatory Agency. Over-the-counter cough and cold medicines for children: new advice. Londres: MHRA; 2009. Consultar