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O que fazer e quando

Tuberculose: ainda existe, trata-se e é gratuita no SNS

Portugal registou em 2024 o número mais baixo de sempre de casos de tuberculose, mas continua acima da média da Europa Ocidental. Diagnosticar cedo protege quem está doente e quem vive à sua volta.

Revisto a 29 de setembro de 2026Próxima revisão: abril de 2027

1 · Resposta curta

Em 2024 foram notificados em Portugal 1536 casos de tuberculose — 14,3 por 100 mil habitantes, o valor mais baixo de sempre.1

Transmite-se pelo ar, sobretudo em contacto próximo e prolongado. Tosse que dura mais de três semanas, febre, suores noturnos e perda de peso são sinais a não ignorar.

O diagnóstico e o tratamento são gratuitos no SNS.1 O tratamento cura a grande maioria dos casos, se for feito até ao fim.

2 · O que a evidência mostra

A situação em Portugal

Tuberculose em PortugalCasos notificados por 100 mil habitantes em 2024 · relatório da DGS
RegiãoCasos por 100 mil
Portugal14,3
Lisboa e Vale do Tejo17,1
Norte16,4

Em 2024 registaram-se 50 mortes por tuberculose, e 82 em cada 100 tratamentos terminaram com sucesso — o valor mais alto dos últimos anos, mas ainda abaixo das metas internacionais.

A tendência é de descida, mas a DGS alerta para um abrandamento dessa descida entre 2020 e 2024, e Portugal está ainda longe das metas da Organização Mundial da Saúde.1

Infeção não é o mesmo que doença

Muitas pessoas infetadas nunca ficam doentes: a bactéria fica inativa — é a infeção latente, que não se transmite. Nalgumas pessoas, sobretudo com o sistema imunitário enfraquecido, pode ativar-se anos depois. Tratar a infeção latente em quem tem maior risco previne a doença.2

Infeção não é o mesmo que doença
  • Infeção latenteA bactéria fica inativa. Não dá sintomas e não se transmite.
  • Doença ativaDá sintomas, como tosse há mais de três semanas, febre, suores noturnos ou perda de peso. Quando atinge os pulmões, pode transmitir-se.

Estima-se que cerca de um quarto da população mundial tenha sido infetada, e que 5 a 10% das pessoas infetadas venham a adoecer ao longo da vida.2

A vacina BCG

Desde 2016, a BCG deixou de ser dada a todos os recém-nascidos em Portugal e passou a ser dada a crianças de grupos de risco.3 Protege sobretudo contra as formas graves da doença nas crianças pequenas.

3 · O que fazer na prática

O que fazer

Fale com o seu médico se tem tosse há mais de três semanas, sobretudo se for acompanhada de febre, suores noturnos, cansaço, perda de peso ou sangue na expetoração.

Quem tem maior risco

  • Quem vive ou convive de perto com alguém com tuberculose.
  • Pessoas com o sistema imunitário enfraquecido: infeção por VIH, tratamentos imunossupressores, diabetes mal controlada, insuficiência renal.
  • Quem fuma ou consome álcool em excesso.
  • Pessoas em situação de sem-abrigo ou vindas de países com mais tuberculose.

Se for diagnosticado

  • Faça o tratamento até ao fim, mesmo quando se sente melhor — geralmente durante vários meses. Parar antes do tempo pode fazer voltar a doença e criar resistência aos medicamentos.
  • As pessoas com quem convive serão chamadas para rastreio. É uma forma de as proteger, não uma acusação.
4 · O que não vale a pena

E porquê

Esconder a doença por vergonha

A tuberculose é uma infeção, não um defeito. Quanto mais cedo é tratada, mais depressa deixa de ser contagiosa.

Separar pratos, talheres ou roupa

A tuberculose não se transmite por objetos, mas pelo ar, em contacto próximo e prolongado.

Parar o tratamento quando os sintomas desaparecem

É a principal causa de recaída e de tuberculose resistente.

5 · O que ainda não sabemos

Zonas de incerteza reconhecida

  • Os tratamentos mais curtos, já disponíveis para algumas situações, e o seu lugar na prática.
  • A tuberculose multirresistente, com 36 casos em Portugal em 2024, concentrados sobretudo em Lisboa e Vale do Tejo.1
  • Como chegar mais cedo às pessoas em maior risco, que muitas vezes têm mais dificuldade de acesso aos cuidados.
6 · Onde obter ajuda

O que pode fazer a partir de hoje

Em qualquer ponto de Portugal
  • O seu médico de família, que pode pedir os exames ou referenciar para um Centro de Diagnóstico Pneumológico.
  • SNS 24 — 808 24 24 24.
  • O diagnóstico e o tratamento da tuberculose são gratuitos no SNS.

Ficha técnica

Autoria
Serviço de Pneumologia ULSRA
Revisão científica
Serviço de Pneumologia ULSRA
Publicado
29 de setembro de 2026
Última revisão
29 de setembro de 2026
Próxima revisão
30 de abril de 2027, depois da publicação do relatório anual da DGS
Grau de evidência
Alto para a eficácia do tratamento e do rastreio de contactos. Moderado para a proteção conferida pela vacina BCG, que é sobretudo contra as formas graves nas crianças pequenas.
Interesses
Projeto de literacia em saúde com foco na prevenção do Serviço de Pneumologia da ULS Região de Aveiro (SNS). Sem publicidade nem patrocínio comercial. Declaração completa

Fontes

  1. Relatório técnicoDireção-Geral da Saúde, Programa Nacional para a Tuberculose. Relatório de vigilância e monitorização da tuberculose em Portugal 2025 (dados de 2024). Lisboa: DGS; 2026. Consultar
  2. Recomendação de sociedade científicaOrganização Mundial da Saúde. WHO consolidated guidelines on tuberculosis. Module 1: prevention — tuberculosis preventive treatment. Genebra: OMS; 2024. Consultar
  3. Norma ou orientação oficialDireção-Geral da Saúde. Norma n.º 006/2016, de 29/06/2016, atualizada a 24/03/2023: Estratégia de vacinação contra a tuberculose com a vacina BCG. Lisboa: DGS. Consultar