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Calor e frio extremos: proteger os pulmões

O frio dentro de casa e as ondas de calor agravam as doenças respiratórias, sobretudo nas pessoas mais velhas. Portugal tem tido, historicamente, um dos maiores aumentos de mortalidade no inverno da Europa.

Revisto a 29 de setembro de 2026Próxima revisão: setembro de 2027

1 · Resposta curta

Numa análise europeia, Portugal foi o país com maior aumento de mortalidade no inverno, apesar de ter invernos amenos — em grande parte por causa de casas frias e mal isoladas.1

A Organização Mundial da Saúde recomenda manter as casas a pelo menos 18 °C na estação fria.2

As ondas de calor também aumentam os internamentos e as mortes, e as pessoas com doença respiratória crónica estão entre as mais afetadas.3

2 · O que a evidência mostra

O que a evidência mostra

O frio

No inverno aumentam as infeções respiratórias e as crises de DPOC e de asma. O ar frio pode provocar broncospasmo, e as casas frias e húmidas favorecem as infeções e os bolores. Uma análise dos países europeus mostrou que o aumento de mortalidade no inverno se relacionava mais com a qualidade térmica das casas do que com o clima exterior — e que Portugal tinha o valor mais alto.1

As orientações da OMS sobre habitação e saúde recomendam uma temperatura interior de pelo menos 18 °C, e mais para as pessoas mais velhas, doentes ou crianças pequenas.2

O calor

Durante as ondas de calor aumentam os internamentos e a mortalidade por doenças respiratórias. As pessoas com DPOC, as mais velhas e as que vivem sozinhas estão entre as mais vulneráveis.3 O calor coincide muitas vezes com mais ozono e, no verão, com o fumo dos incêndios.

3 · O que fazer na prática

O que fazer

O essencial
  • No frioPelo menos 18 °C nas divisões onde passa mais tempo e no quarto, vacinas em dia e aquecimento seguro.2
  • No calorÁgua com regularidade, casa fresca de dia e arejada à noite, menos esforço nas horas de calor e inaladores longe do sol.3

No frio

  • Aqueça pelo menos as divisões onde passa mais tempo e o quarto, idealmente a 18 °C ou mais.
  • Use camadas de roupa e cubra o nariz e a boca com um cachecol quando sai com muito frio.
  • Vacine-se contra a gripe e, se estiver indicado, contra a COVID-19 e o pneumococo. Veja Vacinação respiratória em adultos: quem, quando e porquê.
  • Use aquecimentos seguros: braseiras e aquecedores sem saída de fumos para o exterior são perigosos. Veja O ar dentro de casa: lareiras, humidade e bolores.
  • Visite ou telefone aos vizinhos e familiares mais velhos que vivem sós.

No calor

  • Beba água com regularidade, mesmo sem sede.
  • Mantenha a casa fresca: feche estores e janelas durante o dia e areje à noite, quando a temperatura baixar.
  • Evite esforço e sair nas horas de maior calor.
  • Guarde os inaladores segundo a embalagem. Não os deixe no carro ao sol.
  • Se tem DPOC ou asma, tenha a medicação de alívio sempre à mão.
4 · O que não vale a pena

E porquê

Poupar no aquecimento do quarto

O quarto é onde passa mais horas seguidas. É das divisões que mais importa aquecer.

Esperar pelo agravamento para agir

Nas pessoas com DPOC, uma crise no inverno trata-se melhor quando se atua cedo. Siga o seu plano de ação.

5 · O que ainda não sabemos

Zonas de incerteza reconhecida

  • Quanto reduzem a mortalidade as medidas de melhoria térmica das casas. Os estudos são sobretudo observacionais.
  • O efeito combinado do calor, do ozono e do fumo num clima cada vez mais quente.
6 · Onde obter ajuda

O que pode fazer a partir de hoje

Em qualquer ponto de Portugal
  • SNS 24 — 808 24 24 24, para aconselhamento durante ondas de calor ou frio.
  • O seu município, sobre apoios à eficiência energética da habitação e espaços climatizados em períodos de calor.
  • Emergência — 112.
Na área da ULS da Região de Aveiro

O Pulmão para a Vida é a Unidade de Prevenção e Saúde Respiratória do Serviço de Pneumologia da ULS da Região de Aveiro.

  • Vacinação respiratóriaem preparação

    Esta resposta está em preparação. Até lá, siga as indicações acima, válidas em todo o país.

Ficha técnica

Autoria
Serviço de Pneumologia ULSRA
Revisão científica
Serviço de Pneumologia ULSRA
Publicado
29 de setembro de 2026
Última revisão
29 de setembro de 2026
Próxima revisão
29 de setembro de 2027
Grau de evidência
Moderado a alto para a associação entre temperaturas extremas e mortalidade e internamentos por doença respiratória. Moderado a baixo para o efeito de cada medida individual.
Interesses
Projeto de literacia em saúde com foco na prevenção do Serviço de Pneumologia da ULS Região de Aveiro (SNS). Sem publicidade nem patrocínio comercial. Declaração completa

Fontes

  1. Estudo observacionalHealy JD. Excess winter mortality in Europe: a cross country analysis identifying key risk factors. J Epidemiol Community Health. 2003;57(10):784-789. Consultar
  2. Recomendação de sociedade científicaOrganização Mundial da Saúde. WHO housing and health guidelines. Genebra: OMS; 2018. Consultar
  3. Relatório técnicoOrganização Mundial da Saúde, Região Europeia. Heat and health in the WHO European Region: updated evidence for effective prevention. Copenhaga: OMS Europa; 2021. Consultar