Na DPOC, as vias respiratórias ficam estreitadas de forma permanente, e o ar tem dificuldade em sair dos pulmões. Causa falta de ar, tosse e expetoração, que pioram lentamente ao longo dos anos.1
Num estudo na região de Lisboa, 14 em cada 100 adultos com 40 ou mais anos tinham DPOC, e quase 9 em cada 10 não o sabiam.2
A causa principal é o tabaco. Deixar de fumar é a medida que mais trava a doença, em qualquer fase.3,4
De onde vem, e o que a trava
As causas
- Tabaco, a causa principal.1
- Fumo de lenha e de outras biomassas em espaços fechados.5
- Poeiras, fumos e gases no trabalho — cerca de uma em cada sete pessoas com DPOC deve a doença, em parte, ao trabalho.6
- O desenvolvimento dos pulmões na infância. Os pulmões crescem até ao início da idade adulta. Quem não atinge a função respiratória máxima normal — por prematuridade, tabaco na gravidez, infeções graves na infância — parte de mais baixo.7 Num grande estudo, cerca de metade das pessoas com DPOC tinha tido uma função respiratória baixa desde o início da idade adulta, e não uma perda acelerada.8
- Quem nunca fumou: a função respiratória diminui devagar com a idade.
- Quem fuma e é suscetível: perde função muito mais depressa e pode chegar à incapacidade.
- Quem deixa de fumar aos 45 anos: a perda volta a um ritmo próximo do normal.
- Quem deixa aos 65 anos: também trava a perda, mas a partir de um valor mais baixo.
Esquema adaptado de Fletcher e Peto. As linhas horizontais marcam, de forma aproximada, a incapacidade e o risco de vida; os valores são ilustrativos.3
O que trava a evolução
- Deixar de fumar. Depois de deixar, a perda de função respiratória volta a um ritmo próximo do normal para a idade.3,4
- Reabilitação respiratória e atividade física, que reduzem a falta de ar e melhoram a capacidade de esforço.9,10
- Vacinação, que previne infeções que provocam crises. Veja Vacinação respiratória em adultos: quem, quando e porquê.
- Tratamento inalado bem feito, que reduz sintomas e crises.1 Veja Inaladores: usar bem é metade do tratamento.
O que fazer
Para prevenir
- Não fume e não deixe fumar perto das crianças. Veja Fumo passivo: em casa, no carro e perto de quem mais precisa.
- Proteja-se de poeiras e fumos no trabalho. Veja Exposição respiratória no trabalho.
- Se tem tosse, expetoração ou falta de ar persistentes, e fuma ou fumou, peça uma espirometria. Veja Espirometria: quem deve fazer e o que dizem os resultados.
Se já tem DPOC
- Deixe de fumar, com apoio. Nunca é tarde. Veja Deixar de fumar: o que resulta e o que não resulta.
- Mantenha-se ativo e peça referenciação para reabilitação respiratória.
- Vacine-se contra a gripe, a COVID-19 e o pneumococo, conforme indicado.
- Peça um plano de ação para as crises: que sinais vigiar e o que fazer.
Crise de DPOC — procure ajuda se: a falta de ar aumenta e não melhora com a medicação habitual; a expetoração muda de cor ou aumenta muito; tem febre; tem confusão, sonolência ou lábios azulados. Nestes últimos casos, ligue 112.
E porquê
«Já tenho DPOC, já não vale a pena deixar de fumar»
É o contrário: é a medida com maior efeito na evolução da doença, em qualquer fase.4
Oxigénio em casa sem indicação
O oxigénio só beneficia quem tem níveis baixos de oxigénio no sangue, medidos com exames. Não alivia a falta de ar de quem tem valores normais.
Evitar o esforço
A inatividade agrava a falta de ar. Veja Atividade física: um dos melhores investimentos nos pulmões.
Zonas de incerteza reconhecida
- O que fazer com as formas iniciais da doença, em pessoas com alterações ligeiras e poucos sintomas.
- Porque é que algumas pessoas que fumam muito nunca desenvolvem DPOC e outras que fumam menos desenvolvem.
- Como proteger o crescimento dos pulmões na infância de forma eficaz na população.
O que pode fazer a partir de hoje
- O seu médico de família, para diagnóstico, espirometria e plano de tratamento.
- Consulta de cessação tabágica, se fuma.
- SNS 24 — 808 24 24 24.
O Pulmão para a Vida é a Unidade de Prevenção e Saúde Respiratória do Serviço de Pneumologia da ULS da Região de Aveiro.
- Rede de espirometria e identificação de casosem preparação
Esta resposta está em preparação. Até lá, siga as indicações acima, válidas em todo o país.
- Cessação tabágica intensivaem preparação
Esta resposta está em preparação. Até lá, siga as indicações acima, válidas em todo o país.
Ficha técnica
- Autoria
- Serviço de Pneumologia ULSRA
- Revisão científica
- Serviço de Pneumologia ULSRA
- Publicado
- 29 de setembro de 2026
- Última revisão
- 29 de setembro de 2026
- Próxima revisão
- 29 de setembro de 2027
- Grau de evidência
- Alto para o efeito de deixar de fumar na evolução da doença e para a reabilitação respiratória. Moderado para a importância do desenvolvimento pulmonar na infância como causa de DPOC.
- Interesses
- Projeto de literacia em saúde com foco na prevenção do Serviço de Pneumologia da ULS Região de Aveiro (SNS). Sem publicidade nem patrocínio comercial. Declaração completa
Fontes
- Recomendação de sociedade científicaGlobal Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease. Global strategy for the prevention, diagnosis and management of COPD: 2026 report. Consultar
- Estudo observacionalBárbara C, Rodrigues F, Dias H, et al. Chronic obstructive pulmonary disease prevalence in Lisbon, Portugal: the burden of obstructive lung disease study. Rev Port Pneumol. 2013;19(3):96-105. Consultar
- Estudo observacionalFletcher C, Peto R. The natural history of chronic airflow obstruction. Br Med J. 1977;1(6077):1645-1648. Consultar
- Ensaio clínico aleatorizadoScanlon PD, Connett JE, Waller LA, et al. Smoking cessation and lung function in mild-to-moderate chronic obstructive pulmonary disease. The Lung Health Study. Am J Respir Crit Care Med. 2000;161(2):381-390. Consultar
- Recomendação de sociedade científicaOrganização Mundial da Saúde. WHO guidelines for indoor air quality: household fuel combustion. Genebra: OMS; 2014. Consultar
- Recomendação de sociedade científicaBlanc PD, Annesi-Maesano I, Balmes JR, et al. The occupational burden of nonmalignant respiratory diseases. An official American Thoracic Society and European Respiratory Society statement. Am J Respir Crit Care Med. 2019;199(11):1312-1334. Consultar
- Revisão sistemáticaMartinez FD. Early-life origins of chronic obstructive pulmonary disease. N Engl J Med. 2016;375(9):871-878.
- Estudo observacionalLange P, Celli B, Agustí A, et al. Lung-function trajectories leading to chronic obstructive pulmonary disease. N Engl J Med. 2015;373(2):111-122. Consultar
- Revisão sistemáticaMcCarthy B, Casey D, Devane D, et al. Pulmonary rehabilitation for chronic obstructive pulmonary disease. Cochrane Database Syst Rev. 2015;2:CD003793. Consultar
- Estudo observacionalGarcia-Aymerich J, Lange P, Benet M, Schnohr P, Antó JM. Regular physical activity reduces hospital admission and mortality in chronic obstructive pulmonary disease: a population based cohort study. Thorax. 2006;61(9):772-778.