Serviço Nacional de SaúdeULS da Região de AveiroServiço de Pneumologia
Pulmão para a VidaUnidade de Prevenção e Saúde Respiratória
O que fazer e quando

Espirometria: quem deve fazer e o que dizem os resultados

Um exame simples, sem dor, que mede como os pulmões funcionam. Deteta a DPOC e ajuda a diagnosticar a asma muito antes de a falta de ar se tornar evidente.

Revisto a 29 de setembro de 2026Próxima revisão: setembro de 2027

1 · Resposta curta

A espirometria mede quanto ar consegue soprar e a que velocidade. É o exame que confirma o diagnóstico de DPOC e ajuda a diagnosticar a asma.1

Deve fazê-la quem tem sintomas respiratórios persistentes — sobretudo se fuma ou fumou, ou teve exposições no trabalho.1

Não está recomendada como rastreio em pessoas sem sintomas.2

2 · O que a evidência mostra

Porque importa

Num estudo feito na região de Lisboa, com espirometria a adultos de 40 ou mais anos, cerca de 14 em cada 100 tinham DPOC. Entre quem tinha fumado 20 ou mais maços-ano, eram 27 em cada 100. E de cada 100 pessoas com DPOC, cerca de 87 não tinham diagnóstico.3

DPOC em adultos com 40 ou mais anosRegião de Lisboa · por cada 100 pessoas · estudo BOLD
GrupoCom DPOC na espirometria
Nunca fumou9
Fumou 20 ou mais maços-ano27
Todos14

Das pessoas com DPOC identificadas pela espirometria, cerca de 87 em cada 100 não tinham diagnóstico prévio.

A falta de ar da DPOC instala-se devagar. A pessoa adapta-se — sobe as escadas mais devagar, deixa de fazer certas coisas — e atribui a mudança à idade ou à falta de forma. A espirometria mostra o que a adaptação esconde.

Porque não fazer a toda a gente

Fazer espirometria a pessoas sem sintomas não mostrou melhorar a saúde, porque não há tratamento com benefício demonstrado para a DPOC sem sintomas — além de deixar de fumar, que já se recomenda a todos os fumadores.2 A indicação está em procurar ativamente a doença em quem tem sintomas ou fatores de risco.1

3 · O que fazer na prática

Quem deve fazer, e como é o exame

Fale com o seu médico sobre fazer espirometria se tem tosse ou expetoração persistentes, falta de ar em esforços que antes fazia sem dificuldade, pieira ou infeções respiratórias repetidas — sobretudo se fuma ou fumou, ou trabalhou exposto a poeiras, fumos ou gases.1

Como é o exame

Como se faz
  1. Prepara-seSentado, com uma mola no nariz, sopra por um bocal ligado a um aparelho.
  2. SopraEnche os pulmões ao máximo e sopra com toda a força, o mais depressa possível e até esvaziar. Repete-se várias vezes, para garantir resultados fiáveis.4
  3. Repete com broncodilatadorMuitas vezes repete-se depois de inalar um broncodilatador, para ver se a obstrução melhora.
  • Não dói. Pode causar algum cansaço ou tosse passageira.

O que dizem os resultados

  • FVC — quanto ar consegue soprar no total.
  • FEV1 — quanto ar sopra no primeiro segundo.
  • FEV1/FVC — a relação entre os dois. Se estiver baixa depois do broncodilatador, há obstrução persistente das vias aéreas, que é o critério de diagnóstico da DPOC.1

Os valores são comparados com os esperados para a idade, o sexo e a altura. Um resultado interpreta-se sempre com os sintomas e a história clínica.5

Preparação

Siga as indicações do local onde vai fazer o exame, sobretudo sobre os inaladores que usa. Não fume nas horas anteriores, evite refeições pesadas e roupa apertada.

4 · O que não vale a pena

E porquê

Medidores portáteis e aplicações de telemóvel como diagnóstico

Podem ajudar a triagem ou o seguimento, mas não substituem uma espirometria feita com equipamento certificado e por técnico treinado.4

Radiografia do tórax para diagnosticar DPOC

Uma radiografia normal não exclui DPOC. O diagnóstico faz-se com espirometria.1

Esperar que a falta de ar «passe com a idade»

Não é normal ter cada vez mais falta de ar. Veja Sintomas respiratórios que não são normais.

5 · O que ainda não sabemos

Zonas de incerteza reconhecida

  • O que fazer com alterações ligeiras em pessoas sem sintomas. Há quem tenha uma espirometria ligeiramente alterada e nunca desenvolva doença, e o contrário.
  • A melhor forma de definir o «normal». As recomendações internacionais de interpretação mudaram em 2022, e o efeito dessa mudança ainda está a ser estudado.5
  • O valor de procurar DPOC em pessoas com fatores de risco mas sem sintomas. Há estudos em curso.
6 · Onde obter ajuda

O que pode fazer a partir de hoje

Em qualquer ponto de Portugal
  • O seu médico de família pode pedir a espirometria. É feita em unidades de cuidados de saúde primários e em hospitais do SNS.
  • Se já tem diagnóstico de DPOC ou asma, a espirometria faz parte do seguimento regular — pergunte quando a deve repetir.
Na área da ULS da Região de Aveiro

O Pulmão para a Vida é a Unidade de Prevenção e Saúde Respiratória do Serviço de Pneumologia da ULS da Região de Aveiro.

  • Rede de espirometria e identificação de casosem preparação

    Esta resposta está em preparação. Até lá, siga as indicações acima, válidas em todo o país.

Ficha técnica

Autoria
Serviço de Pneumologia ULSRA
Revisão científica
Serviço de Pneumologia ULSRA
Publicado
29 de setembro de 2026
Última revisão
29 de setembro de 2026
Próxima revisão
29 de setembro de 2027
Grau de evidência
Alto para a espirometria como exame de diagnóstico da DPOC. Moderado para a procura ativa de doença em pessoas com sintomas ou fatores de risco. Moderado contra o rastreio de pessoas sem sintomas.
Interesses
Projeto de literacia em saúde com foco na prevenção do Serviço de Pneumologia da ULS Região de Aveiro (SNS). Sem publicidade nem patrocínio comercial. Declaração completa

Fontes

  1. Recomendação de sociedade científicaGlobal Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease. Global strategy for the prevention, diagnosis and management of COPD: 2026 report. Consultar
  2. Recomendação de sociedade científicaUS Preventive Services Task Force. Screening for chronic obstructive pulmonary disease: US Preventive Services Task Force reaffirmation recommendation statement. JAMA. 2022;327(18):1806-1811. Consultar
  3. Estudo observacionalBárbara C, Rodrigues F, Dias H, et al. Chronic obstructive pulmonary disease prevalence in Lisbon, Portugal: the burden of obstructive lung disease study. Rev Port Pneumol. 2013;19(3):96-105. Consultar
  4. Recomendação de sociedade científicaGraham BL, Steenbruggen I, Miller MR, et al. Standardization of spirometry 2019 update. An official American Thoracic Society and European Respiratory Society technical statement. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(8):e70-e88. Consultar
  5. Recomendação de sociedade científicaStanojevic S, Kaminsky DA, Miller MR, et al. ERS/ATS technical standard on interpretive strategies for routine lung function tests. Eur Respir J. 2022;60(1):2101499. Consultar