A espirometria mede quanto ar consegue soprar e a que velocidade. É o exame que confirma o diagnóstico de DPOC e ajuda a diagnosticar a asma.1
Deve fazê-la quem tem sintomas respiratórios persistentes — sobretudo se fuma ou fumou, ou teve exposições no trabalho.1
Não está recomendada como rastreio em pessoas sem sintomas.2
Porque importa
Num estudo feito na região de Lisboa, com espirometria a adultos de 40 ou mais anos, cerca de 14 em cada 100 tinham DPOC. Entre quem tinha fumado 20 ou mais maços-ano, eram 27 em cada 100. E de cada 100 pessoas com DPOC, cerca de 87 não tinham diagnóstico.3
| Grupo | Com DPOC na espirometria |
|---|---|
| Nunca fumou | 9 |
| Fumou 20 ou mais maços-ano | 27 |
| Todos | 14 |
Das pessoas com DPOC identificadas pela espirometria, cerca de 87 em cada 100 não tinham diagnóstico prévio.
A falta de ar da DPOC instala-se devagar. A pessoa adapta-se — sobe as escadas mais devagar, deixa de fazer certas coisas — e atribui a mudança à idade ou à falta de forma. A espirometria mostra o que a adaptação esconde.
Porque não fazer a toda a gente
Fazer espirometria a pessoas sem sintomas não mostrou melhorar a saúde, porque não há tratamento com benefício demonstrado para a DPOC sem sintomas — além de deixar de fumar, que já se recomenda a todos os fumadores.2 A indicação está em procurar ativamente a doença em quem tem sintomas ou fatores de risco.1
Quem deve fazer, e como é o exame
Fale com o seu médico sobre fazer espirometria se tem tosse ou expetoração persistentes, falta de ar em esforços que antes fazia sem dificuldade, pieira ou infeções respiratórias repetidas — sobretudo se fuma ou fumou, ou trabalhou exposto a poeiras, fumos ou gases.1
Como é o exame
- Prepara-seSentado, com uma mola no nariz, sopra por um bocal ligado a um aparelho.
- SopraEnche os pulmões ao máximo e sopra com toda a força, o mais depressa possível e até esvaziar. Repete-se várias vezes, para garantir resultados fiáveis.4
- Repete com broncodilatadorMuitas vezes repete-se depois de inalar um broncodilatador, para ver se a obstrução melhora.
- Não dói. Pode causar algum cansaço ou tosse passageira.
O que dizem os resultados
- FVC — quanto ar consegue soprar no total.
- FEV1 — quanto ar sopra no primeiro segundo.
- FEV1/FVC — a relação entre os dois. Se estiver baixa depois do broncodilatador, há obstrução persistente das vias aéreas, que é o critério de diagnóstico da DPOC.1
Os valores são comparados com os esperados para a idade, o sexo e a altura. Um resultado interpreta-se sempre com os sintomas e a história clínica.5
Preparação
Siga as indicações do local onde vai fazer o exame, sobretudo sobre os inaladores que usa. Não fume nas horas anteriores, evite refeições pesadas e roupa apertada.
E porquê
Medidores portáteis e aplicações de telemóvel como diagnóstico
Podem ajudar a triagem ou o seguimento, mas não substituem uma espirometria feita com equipamento certificado e por técnico treinado.4
Radiografia do tórax para diagnosticar DPOC
Uma radiografia normal não exclui DPOC. O diagnóstico faz-se com espirometria.1
Esperar que a falta de ar «passe com a idade»
Não é normal ter cada vez mais falta de ar. Veja Sintomas respiratórios que não são normais.
Zonas de incerteza reconhecida
- O que fazer com alterações ligeiras em pessoas sem sintomas. Há quem tenha uma espirometria ligeiramente alterada e nunca desenvolva doença, e o contrário.
- A melhor forma de definir o «normal». As recomendações internacionais de interpretação mudaram em 2022, e o efeito dessa mudança ainda está a ser estudado.5
- O valor de procurar DPOC em pessoas com fatores de risco mas sem sintomas. Há estudos em curso.
O que pode fazer a partir de hoje
- O seu médico de família pode pedir a espirometria. É feita em unidades de cuidados de saúde primários e em hospitais do SNS.
- Se já tem diagnóstico de DPOC ou asma, a espirometria faz parte do seguimento regular — pergunte quando a deve repetir.
O Pulmão para a Vida é a Unidade de Prevenção e Saúde Respiratória do Serviço de Pneumologia da ULS da Região de Aveiro.
- Rede de espirometria e identificação de casosem preparação
Esta resposta está em preparação. Até lá, siga as indicações acima, válidas em todo o país.
Ficha técnica
- Autoria
- Serviço de Pneumologia ULSRA
- Revisão científica
- Serviço de Pneumologia ULSRA
- Publicado
- 29 de setembro de 2026
- Última revisão
- 29 de setembro de 2026
- Próxima revisão
- 29 de setembro de 2027
- Grau de evidência
- Alto para a espirometria como exame de diagnóstico da DPOC. Moderado para a procura ativa de doença em pessoas com sintomas ou fatores de risco. Moderado contra o rastreio de pessoas sem sintomas.
- Interesses
- Projeto de literacia em saúde com foco na prevenção do Serviço de Pneumologia da ULS Região de Aveiro (SNS). Sem publicidade nem patrocínio comercial. Declaração completa
Fontes
- Recomendação de sociedade científicaGlobal Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease. Global strategy for the prevention, diagnosis and management of COPD: 2026 report. Consultar
- Recomendação de sociedade científicaUS Preventive Services Task Force. Screening for chronic obstructive pulmonary disease: US Preventive Services Task Force reaffirmation recommendation statement. JAMA. 2022;327(18):1806-1811. Consultar
- Estudo observacionalBárbara C, Rodrigues F, Dias H, et al. Chronic obstructive pulmonary disease prevalence in Lisbon, Portugal: the burden of obstructive lung disease study. Rev Port Pneumol. 2013;19(3):96-105. Consultar
- Recomendação de sociedade científicaGraham BL, Steenbruggen I, Miller MR, et al. Standardization of spirometry 2019 update. An official American Thoracic Society and European Respiratory Society technical statement. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(8):e70-e88. Consultar
- Recomendação de sociedade científicaStanojevic S, Kaminsky DA, Miller MR, et al. ERS/ATS technical standard on interpretive strategies for routine lung function tests. Eur Respir J. 2022;60(1):2101499. Consultar