O fumo passivo causa cancro do pulmão e doença cardíaca em adultos que nunca fumaram. Nas crianças, aumenta as infeções respiratórias, as crises de asma, as otites e o risco de morte súbita do lactente. Não existe um nível de exposição sem risco.1
Em todo o mundo, o fumo passivo foi responsável por mais de 600 mil mortes num só ano — mais de um quarto delas em crianças.2
Ventilar, fumar à janela ou usar um exaustor reduz o fumo, mas não o elimina. A proteção eficaz é não fumar dentro de casa nem no carro.1
O que a evidência mostra
O fumo que sai da ponta do cigarro e o fumo expirado contêm as mesmas substâncias tóxicas e cancerígenas que o fumador inala. Um relatório de referência concluiu que a evidência é suficiente para estabelecer uma relação causal com:1
- Em adultos: cancro do pulmão, doença coronária e irritação das vias respiratórias.
- Em crianças: morte súbita do lactente, infeções respiratórias baixas, otites, sintomas respiratórios crónicos e crescimento mais lento da função pulmonar.
- Na gravidez: menor peso ao nascer.
A mesma análise concluiu que eliminar completamente o fumo dos espaços interiores é a única forma de proteger totalmente quem não fuma: a separação de espaços, a ventilação e a filtração do ar reduzem a exposição, mas não a eliminam.1
O que fazer
- Casa sem fumo: ninguém fuma dentro de casa, em nenhuma divisão, a nenhuma hora.
- Carro sem fumo: o espaço é pequeno e as concentrações sobem muito depressa, mesmo com a janela aberta.
- Quem fuma, fuma fora — longe de portas e janelas abertas e longe das crianças.
- Peça, sem culpa, que não fumem perto de si ou dos seus filhos. É um pedido de saúde, não uma ofensa.
- Se fuma, esta pode ser uma boa razão para deixar. Veja Deixar de fumar: o que resulta e o que não resulta.
E porquê
Fumar à janela, com o exaustor ligado ou com um ambientador
O fumo espalha-se pela casa e fica nas superfícies. Nenhuma destas medidas protege quem lá vive.
Fumar noutra divisão
O fumo não respeita portas fechadas. A separação de espaços dentro da mesma casa não evita a exposição.1
Purificadores de ar para o fumo do tabaco
Reduzem algumas partículas, mas não os gases. Veja Purificadores de ar: o que fazem, o que não fazem, quando compensam.
Zonas de incerteza reconhecida
- Os resíduos do fumo nas superfícies, a que por vezes se chama «fumo em terceira mão» — roupas, sofás, paredes. Há sinais de que possam ser nocivos, sobretudo para crianças pequenas, mas a evidência é ainda limitada.
- O aerossol dos cigarros eletrónicos para quem está perto. Contém menos substâncias tóxicas do que o fumo do tabaco, mas os efeitos a longo prazo não são conhecidos.
O que pode fazer a partir de hoje
- Se quer deixar de fumar, fale com o seu médico de família ou peça uma consulta de cessação tabágica.
- SNS 24 — 808 24 24 24, para aconselhamento.
O Pulmão para a Vida é a Unidade de Prevenção e Saúde Respiratória do Serviço de Pneumologia da ULS da Região de Aveiro.
- Cessação tabágica intensivaem preparação
Esta resposta está em preparação. Até lá, siga as indicações acima, válidas em todo o país.
Ficha técnica
- Autoria
- Serviço de Pneumologia ULSRA
- Revisão científica
- Serviço de Pneumologia ULSRA
- Publicado
- 29 de setembro de 2026
- Última revisão
- 29 de setembro de 2026
- Próxima revisão
- 29 de setembro de 2027
- Grau de evidência
- Alto para os efeitos do fumo passivo na saúde de adultos e crianças. Baixo para os efeitos dos resíduos do fumo nas superfícies e do aerossol dos cigarros eletrónicos em quem está perto.
- Interesses
- Projeto de literacia em saúde com foco na prevenção do Serviço de Pneumologia da ULS Região de Aveiro (SNS). Sem publicidade nem patrocínio comercial. Declaração completa
Fontes
- Relatório técnicoU.S. Department of Health and Human Services. The health consequences of involuntary exposure to tobacco smoke: a report of the Surgeon General. Atlanta: CDC; 2006. Consultar
- Estudo observacionalÖberg M, Jaakkola MS, Woodward A, Peruga A, Prüss-Ustün A. Worldwide burden of disease from exposure to second-hand smoke: a retrospective analysis of data from 192 countries. Lancet. 2011;377(9760):139-146. Consultar