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Radão em casa: quem deve medir e o que fazer

Um gás natural, invisível e sem cheiro, que sai do solo e se acumula dentro de casa. É a principal causa de cancro do pulmão depois do tabaco. Mede-se com facilidade e, quando é alto, resolve-se.

Revisto a 29 de setembro de 2026Próxima revisão: setembro de 2027

1 · Resposta curta

O radão é um gás radioativo natural que se forma a partir do urânio presente no solo e nas rochas, sobretudo no granito. Entra nas casas pelo chão e pelas fissuras e acumula-se em espaços pouco ventilados.

Depois do tabaco, é a principal causa de cancro do pulmão — e a principal em quem nunca fumou.1

A única forma de saber quanto radão há numa casa é medi-lo. Em Portugal, o nível de referência é de 300 Bq/m³ em média anual.2

2 · O que a evidência mostra

Quanto aumenta o risco

Uma análise que juntou os dados de 13 estudos europeus mostrou que o risco de cancro do pulmão aumenta cerca de 16 por cento por cada 100 Bq/m³ a mais em casa, de forma proporcional e sem um limiar abaixo do qual o risco desapareça.3

O ponto mais importante é a relação com o tabaco. O radão aumenta o risco numa proporção semelhante em quem fuma e em quem não fuma, mas como o risco de partida de quem fuma é muito maior, o número de cancros adicionais também o é:

Risco de morrer de cancro do pulmão até aos 75 anosPor cada 1000 pessoas, segundo o radão em casa ao longo da vida · análise europeia
Radão em casaNunca fumouFuma
0 Bq/m³4≈ 100
100 Bq/m³5≈ 120
400 Bq/m³7≈ 160

Para quem fuma e vive numa casa com radão elevado, a medida com maior efeito continua a ser deixar de fumar — e medir o radão também.

O que é um becquerel por metro cúbico

É a unidade que mede a radioatividade no ar: 1 Bq/m³ corresponde a um átomo a desintegrar-se por segundo em cada metro cúbico de ar. Não precisa de decorar a unidade. Basta saber que o nível de referência em Portugal é 300, e que a Organização Mundial da Saúde recomenda, sempre que possível, ficar abaixo de 100.4

3 · O que fazer na prática

Quem deve medir, e como

Quem deve considerar medir

  • Quem vive numa freguesia com suscetibilidade moderada ou elevada ao radão. Em Portugal continental, estas zonas coincidem sobretudo com terrenos graníticos do Norte e do Centro. Pode consultar a sua freguesia no índice de suscetibilidade da Agência Portuguesa do Ambiente.5
  • Quem vive, ou passa muitas horas, em pisos térreos ou abaixo do nível do solo.
  • Quem fuma, ou vive com quem fuma, numa dessas zonas.

Uma zona é considerada de suscetibilidade elevada quando pelo menos 10 em cada 100 edifícios ultrapassam o nível de referência.4 O índice indica a probabilidade numa freguesia, não o valor de uma casa concreta: duas casas vizinhas podem ter valores muito diferentes, conforme a construção e a ventilação.

Como se mede

  • Com um detetor passivo, pequeno e silencioso, colocado na divisão onde passa mais tempo, no rés-do-chão ou na cave habitada, entre 1 e 2 metros do chão, longe de janelas, portas e fontes de calor.
  • Durante pelo menos três meses, idealmente incluindo o inverno, porque os valores variam ao longo do ano.1
  • O detetor é depois analisado em laboratório. A Agência Portuguesa do Ambiente divulga os prestadores de serviços de medição que aderiram ao seu guia técnico.
Como o radão entra em casa, e como se reduz
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  1. O radão forma-se no solo e nas rochas, sobretudo no granito, e sobe através do terreno.
  2. Entra em casa pelas fissuras do pavimento…
  3. …e pelas passagens de tubagens. Selar umas e outras reduz a entrada.
  4. Acumula-se nas divisões mais baixas e pouco ventiladas.
  5. Ventilar os pisos inferiores é o primeiro passo e o mais barato.
  6. Despressurizar o solo — um pequeno ventilador que extrai o ar de debaixo da casa — é a solução mais eficaz para valores altos.

Esquema simplificado.1

Se o valor for alto

Quase sempre se resolve sem mudar de casa:1

  • Ventilar, sobretudo os pisos inferiores. É o primeiro passo e o mais barato.
  • Selar fissuras e passagens de tubagens no chão.
  • Despressurizar o solo — um pequeno ventilador que extrai o ar de debaixo da casa. É a solução mais eficaz para valores altos e deve ser feita por técnicos com experiência.

Depois de qualquer intervenção, volte a medir.

4 · O que não vale a pena

E porquê

Medições de poucos dias com aparelhos digitais baratos

Dão uma indicação, mas o radão varia muito de dia para dia. Uma decisão deve basear-se numa medição de longa duração.

Purificadores de ar

Não removem o radão, que é um gás. Veja Purificadores de ar: o que fazem, o que não fazem, quando compensam.

Alarme

Uma medição acima de 300 não é uma emergência. O risco depende da exposição acumulada ao longo de muitos anos: há tempo para medir bem e corrigir com calma.

5 · O que ainda não sabemos

Zonas de incerteza reconhecida

  • O risco abaixo de 100 Bq/m³. Não há um limiar seguro demonstrado, mas o risco adicional a estes níveis é pequeno e difícil de medir.3
  • A distribuição real em Portugal. O mapeamento nacional está a ser feito no âmbito do Plano Nacional para o Radão.4
  • Rastreio em quem nunca fumou mas viveu com radão elevado. Não há critérios validados. Veja Rastreio do cancro do pulmão: a quem se dirige e a quem não se dirige.
6 · Onde obter ajuda

O que pode fazer a partir de hoje

Em qualquer ponto de Portugal
  • Agência Portuguesa do Ambiente — informação sobre o radão, o Plano Nacional para o Radão e os prestadores de serviços de medição.
  • A sua entidade empregadora, se trabalha em piso térreo ou subterrâneo numa zona de suscetibilidade elevada: nesses casos a lei obriga-a a medir.2
  • O seu médico de família, se fuma e vive numa zona de risco, para falar sobre deixar de fumar.

Ficha técnica

Autoria
Serviço de Pneumologia ULSRA
Revisão científica
Serviço de Pneumologia ULSRA
Publicado
29 de setembro de 2026
Última revisão
29 de setembro de 2026
Próxima revisão
29 de setembro de 2027
Grau de evidência
Alto para a relação entre a exposição ao radão em casa e o cancro do pulmão (análise conjunta de estudos europeus e avaliação da OMS). Moderado para a eficácia das medidas de correção nas habitações.
Interesses
Projeto de literacia em saúde com foco na prevenção do Serviço de Pneumologia da ULS Região de Aveiro (SNS). Sem publicidade nem patrocínio comercial. Declaração completa

Notas de cálculo

Os riscos acumulados até aos 75 anos são os publicados no resumo da análise conjunta de 13 estudos europeus — cerca de 0,4, 0,5 e 0,7 por cento para quem nunca fumou e cerca de 10, 12 e 16 por cento para quem fuma cigarros — convertidos em pessoas por 1000.3

Correções

  • 29 de setembro de 2026 — Os valores para quem fuma passaram a ser os publicados no resumo do estudo (cerca de 10, 12 e 16 por cento), arredondados, em vez de valores com casas decimais que não constam do resumo.

Fontes

  1. Relatório técnicoOrganização Mundial da Saúde. WHO handbook on indoor radon: a public health perspective. Genebra: OMS; 2009. Consultar
  2. LegislaçãoDecreto-Lei n.º 108/2018, de 3 de dezembro — Regime jurídico da proteção radiológica (na redação do Decreto-Lei n.º 139-D/2023). Diário da República. Consultar
  3. Estudo observacionalDarby S, Hill D, Auvinen A, et al. Radon in homes and risk of lung cancer: collaborative analysis of individual data from 13 European case-control studies. BMJ. 2005;330(7485):223. Consultar
  4. LegislaçãoResolução do Conselho de Ministros n.º 150-A/2022, de 29 de dezembro — Aprova o Plano Nacional para o Radão. Diário da República. Consultar
  5. Relatório técnicoAgência Portuguesa do Ambiente. Índice de suscetibilidade ao radão por freguesia. Plano Nacional para o Radão. Consultar