Serviço Nacional de SaúdeULS da Região de AveiroServiço de Pneumologia
Pulmão para a VidaUnidade de Prevenção e Saúde Respiratória
O que fazer e quando

Nunca fumei: posso ter cancro do pulmão?

Sim. O tabaco é a causa principal, mas não a única. Conhecer as outras causas ajuda a preveni-las — e a não desvalorizar os sintomas.

Revisto a 29 de setembro de 2026Próxima revisão: setembro de 2027

1 · Resposta curta

Em todo o mundo, estima-se que cerca de um em cada quatro cancros do pulmão não se deva ao tabaco. A proporção varia muito entre países.1

As causas conhecidas incluem o radão, o fumo passivo, a poluição do ar, exposições profissionais e o fumo de combustíveis em casa.2,3,4,5

Não há rastreio recomendado para quem nunca fumou. Por isso, os sintomas persistentes devem ser avaliados — sem pensar «não pode ser, nunca fumei».6

2 · O que a evidência mostra

O que a evidência mostra

Os cancros do pulmão em pessoas que nunca fumaram são mais frequentes em mulheres e, muitas vezes, têm alterações genéticas próprias, que respondem a tratamentos dirigidos. Alguns investigadores consideram-nos quase uma doença diferente.1

As causas conhecidas

Porque não há rastreio

Os ensaios que mostraram benefício do rastreio foram feitos em pessoas com muitos anos de tabaco. Em quem nunca fumou, o risco é muito mais baixo e os danos do rastreio pesariam mais do que o benefício. Os critérios portugueses não incluem quem nunca fumou.6

3 · O que fazer na prática

O que fazer

  • Meça o radão se vive numa zona de suscetibilidade moderada ou elevada.
  • Mantenha a casa e o carro sem fumo e evite ambientes com fumo.
  • Proteja-se no trabalho de poeiras e fumos.
  • Não desvalorize os sintomas: tosse que dura mais de três semanas, sangue na expetoração, falta de ar nova, dor no peito persistente ou perda de peso sem explicação justificam consulta. Veja Sintomas respiratórios que não são normais.
4 · O que não vale a pena

E porquê

Fazer TAC por iniciativa própria «por precaução»

Sem risco elevado, uma TAC encontra sobretudo alterações sem significado e gera exames desnecessários. Veja Rastreio do cancro do pulmão: a quem se dirige e a quem não se dirige.

Análises ao sangue vendidas como deteção precoce

Não existe hoje nenhum marcador no sangue validado para detetar o cancro do pulmão na população.

5 · O que ainda não sabemos

Zonas de incerteza reconhecida

  • Porque é que a proporção de cancros do pulmão em quem nunca fumou parece estar a aumentar — em parte porque o número de fumadores diminuiu.
  • Se o rastreio pode beneficiar alguns grupos de não fumadores com risco elevado, como pessoas com forte história familiar. Há estudos em curso.
  • O papel de causas ainda mal compreendidas, genéticas e ambientais.
6 · Onde obter ajuda

O que pode fazer a partir de hoje

Em qualquer ponto de Portugal
  • O seu médico de família, perante sintomas persistentes.
  • SNS 24 — 808 24 24 24.

Ficha técnica

Autoria
Serviço de Pneumologia ULSRA
Revisão científica
Serviço de Pneumologia ULSRA
Publicado
29 de setembro de 2026
Última revisão
29 de setembro de 2026
Próxima revisão
29 de setembro de 2027
Grau de evidência
Alto para o radão, o fumo passivo, a poluição do ar e as exposições profissionais como causas de cancro do pulmão. Baixo para qualquer forma de rastreio em quem nunca fumou.
Interesses
Projeto de literacia em saúde com foco na prevenção do Serviço de Pneumologia da ULS Região de Aveiro (SNS). Sem publicidade nem patrocínio comercial. Declaração completa

Fontes

  1. Revisão sistemáticaSun S, Schiller JH, Gazdar AF. Lung cancer in never smokers — a different disease. Nat Rev Cancer. 2007;7(10):778-790. Consultar
  2. Relatório técnicoOrganização Mundial da Saúde. WHO handbook on indoor radon: a public health perspective. Genebra: OMS; 2009. Consultar
  3. Relatório técnicoU.S. Department of Health and Human Services. The health consequences of involuntary exposure to tobacco smoke: a report of the Surgeon General. Atlanta: CDC; 2006. Consultar
  4. Relatório técnicoLoomis D, Grosse Y, Lauby-Secretan B, et al. The carcinogenicity of outdoor air pollution. Lancet Oncol. 2013;14(13):1262-1263. Consultar
  5. Relatório técnicoInternational Agency for Research on Cancer. Arsenic, metals, fibres, and dusts. IARC Monographs on the Evaluation of Carcinogenic Risks to Humans, Volume 100C. Lyon: IARC; 2012. Consultar
  6. Norma ou orientação oficialDireção-Geral da Saúde. Orientação n.º 003/2025, de 31/07/2025: Termos de referência para projetos-piloto para o rastreio do cancro do pulmão. Lisboa: DGS; 2025. Consultar
  7. Recomendação de sociedade científicaOrganização Mundial da Saúde. WHO guidelines for indoor air quality: household fuel combustion. Genebra: OMS; 2014. Consultar